Hooligans marcam a história do futebol com tragédia de Bruxelas

 

    Há um bom motivo para a França temer os hooligans ingleses: nos últimos 32 anos, nunca uma Copa do Mundo foi disputada tão perto das Ilhas Britânicas. De Londres para Paris, são apenas 40 minutos de viagem de avião ou três horas no moderno Eurostar, o trem que passa sob o Canal da Mancha.

    A fama de violência dos hooligans intensificou-se a partir de 29 de maio de 1985, quando torcedores do Liverpool, da Inglaterra, provocaram um tumulto na final da Copa da Europa, entre seu time e a Juventus, de Turim, no Estádio Heysel, em Bruxelas, na Bélgica. Na tragédia, morreram 39 pessoas e saíram feridas 454.

    As cenas de horror duraram 1 hora e 15 minutos. Os hooligans do Liverpool massacraram torcedores da Juventus. O título ficou com a equipe italiana, que venceu por 1 a 0, com gol de pênalti de Platini, mas o resultado do jogo ficou em plano secundário. A tragédia de Bruxelas não levou a grandes punições: apenas um torcedor, o inglês James McGill, foi condenado a 40 meses de prisão, tendo sido beneficiado pela liberdade condicional ao completar metade da pena. No entanto, o governo britânico indenizou familiares das vítimas e foi iniciada campanha para atenuar a violência nos estádios.

    Na Copa do Mundo de 1986, a polícia mexicana ficou atenta, em Monterrey, para os jogos da Inglaterra. Policiais italianos intensificaram a vigilância em Cagliari, na Sicília, durante o Mundial de 1990, temendo conflitos de torcedores ingleses em partidas de sua seleção.

    Em época de grande jogo pelos torneios europeus de clubes, as autoridades das fronteiras de vários países tomam uma atitude rara, nesta época de avanço da União Européia: vigiam trens e automóveis e tentam impedir a entrada de hooligans.(L.C.R.)

                                                Fonte: Estado de São Paulo