LÁPIS, CADERNO E COCAÍNA
"Mingo", um menino que pesa um pouco mais de 20 quilos e chega a um metro de altura, tem a fala arrastada, e está se recuperando de um ano de consumo de drogas. Ele não tem idéia da própria idade, porque, na escola, não teve tempo para começar a aprender a ler, escrever e contar. "Mingo" viciou-se logo nos primeiros meses de colégio. "No recreio, eu pulava a escola e fumava maconha", conta ele.
Maconha, crack, LSD, ecstasy, e cocaína, são drogas que parecem de difícil acesso, mas são encontradas nas escolas. Uma estudante de classe média, de 16 anos, diz que foi apresentada à maconha por um colega do colégio, e que depois passou a consumir outras drogas. Trocou tudo por elas. Quando não tinha mais nada para vender, dividiu seu tempo entre fingir estudar e ser assaltante. "Eu ficava 5 dias fora de casa, roubava CD's, apartamentos e fazia assalto à mão armada", revela a estudante. "Nós ficávamos no fundo da sala, e, enquanto a professora escrevia no quadro-negro, a gente batia a cocaína no caderno, abaixava a cabeça fingindo que estava escrevendo, e cheirava", explica ela.
Alessandra, de 14 anos, fazia tráfico de cocaína dentro da sala de aula. Ela diz que chegava a vender 50 papéis de cocaína por dia. "A gente praticamente dominava a escola, fazia o que queria", conta Alessandra.
TRÁFICO EM SALA DE AULA
São pelo menos 20 denúncias diárias de tráfico de drogas em colégios, mas a polícia não dá conta de atender todos os chamados. O repórter Marcelo Rezende seguiu atrás de algumas pistas e encontrou escolas destruidas por vândalos. Desordem e destruição nas escolas são sinônimos de cocaína, maconha e crack consumidos por alunos.
Diretores e professores das escolas vivem a lei do terror. Todo o corpo docente teme por represálias, tem medo de se meter e acabar sendo machucado.
As drogas muitas vezes são compradas nas mãos de colegas de turma. Uma das meninas que vendia droga aos colegas diz que os professores não percebiam o esquema, ou não tinham coragem de falar. Se os alunos traficantes fossem expulsos por algum professor eles poderiam voltar a escola para "acertar as contas", ou seja, "morte", diz a menina, que vendeu drogas no colégio durante um ano.
Os traficantes passaram a pulverizar os pontos de vendas de drogas ao redor das escolas, como uma estratégia para viciar mais os alunos, e para dificultar a ação da polícia.
FONTE: Jornal Naciona REDE GLOBO